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“(…)Quando se é muito novo, a ignorância leva-nos a fazer listas: amo e odeio. Quando era muito novo eu disse: «Detesto música brasileira». Não conhecia a música brasileira. Odeio música country. Não conhecia. Para facilitar, numa situação de igorância, o que é que se pode fazer? Dizer «não conheço», «não faço ideia»? Não. Ou sobre as mulheres: «Gosto de mulheres não sei quê». Só conheces duas. Mas tens de dizer «odeio francesas» ou «odeio comida italiana», vamos supor, para poderes construir uma personalidade. À medida que se vai lendo e vivendo, essa defesa deixa de ser necessária. Portanto, isso que parece ser crueldade, quando se é jovem, é antes uma forma de ignorância.
Miguel Esteves Cardoso, revista LER, 2008

I am just a cloud

“Nuvem” de palavras feitas no Wordle a partir dos textos do blog. Obama em destaque não foi surpresa, mas gostei de ver aquele “Bush Nunca Mais”, visto que a imagem é formada aleatoriamente. Digamos que é uma nuvem com subconsciente.


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Quando, em 1969, os americanos chegaram pela primeira vez à lua, o presidente Nixon tinha preparada uma declaração para a televisão caso eles não conseguissem voltar. Naquela primeira viagem nem a NASA sabia a 100% que seria possível. Dizia o seguinte:

“Fate has ordained that the men who went to the moon to explore in peace will stay on the moon to rest in peace. These brave men, Neil Armstrong and Edwin Aldrin, know that there is no hope for their recovery. But they also know that there is hope for mankind in their sacrifice. These two men are laying down their lives in mankind’s most noble goal: the search for truth and understanding. They will be mourned by their families and friends; they will be mourned by their nation; they will be mourned by the people of the world; they will be mourned by a Mother Earth that dared send two of her sons into the unknown. (…)” Versão completa.

De seguida, estava previsto que as comunicações com a lua fossem interrompidas e os austronautas deixados sozinhos para morrer. Mais tarde haveria um funeral no mar.

* Interessantes que eu desconhecia até agora.

Entre Muros


(os alunos/actores de A Turma)
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O vencedor da Palma de Ouro em Cannes é um excelente filme, com o mérito de fazer chegar ao grande publico uma visão realista do que se passa na sala de aula (sim, nas nossas também é assim). É uma surpresa para quem não lecciona - a audência da sessão a que assisti tinha nitidamente imensos professores e sentiu-se um ambiente de terapia de grupo que se podia cortar à faca. É também uma surpresa para quem não viu La Scuela, o vencedor do primeiro DocLisboa, ou o ainda melhor Être et avoir. Também nestes se abria um pouco a caixa negra em que o professor opera, e onde podem ocorrer milagres ou desgraças.A Turma tem vantagem por misturar realidade e ficção, tornando-se mais apelativa. Mas há que dar valor ao trabalho de câmara - três perspectivas filmadas ao mesmo tempo, o professor, o aluno, e pormenores aleatórios - sentimos estar dentro daquela sala de aulas (há quem lhe chamasse “um jogo de ténis”), quando a perspectiva é geralmente exterior. Como quem diz, estes somos nós todos, é a sociedade que temos. Há um momento em A Turma carregado de simbolismo irónico, propositadamente ou não. O professor de História pergunta ao de Francês se não seria possível “dar” Rousseau (ou seria o “Cândido?”). A resposta é negativa. Por todo o filme passa esta ambivalência. Será que aqueles alunos são “bons selvagens” ou estamos perante um pessimismo fatalista? Seja como for, é impossível não torcer por aquele professor que luta poeticamente numa batalha perdida. Esqueçamos por momentos que é um mau professor, porque o mais importante é realçar que temos uma escola desadequada dos seus tempos. Cantet percebeu isso e mostrou-nos bem o que se passa dentro dos muros de uma escola.

Beat this, The Onion

Obama thinks he is a good talker, but he is often undisciplined when he speaks. He needs to understand that as President, his words will be scrutinized and will have impact whether he intends it or not. In this regard, President Bush is an excellent model; Obama should take a lesson from his example. Bush never gets sloppy when he is speaking publicly. He chooses his words with care and precision, which is why his style sometimes seems halting. In the eight years he has been President, it is remarkable how few gaffes or verbal blunders he has committed. If Obama doesn’t raise his standards, he will exceed Bush’s total before he is inaugurated.
John Hinderacker, influente blogger republicano


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Há uma década, o Congresso dos EUA passou a Digital Millennium Copyright Act. O que é que é tão importante nesta lei? Um ponto que diz que as empresas que oferecem serviços na net não são responsáveis por violações da propriedade intelectual dos seus utilizadores. O que possibilita isto é o processo de aviso e remoção de material. Os intermediários têm imunidade (o que designam por safe harbour), mas quando intimados a remover material dos seus serviços, têm de o fazer imediatamente. Estão a ver o jeitinho que isto dá ao Youtube & afins certo? Esta lei foi assinada por Bill Clinton, e curiosamente o seu grande objectivo era combater as infrações de copyright. Viu-se, e ainda bem, acrescento eu. Thanks Bill, e obrigado DMCA (não confundir com outra sigla parecida).

Artista: Melpo Mene (MySpace/Last.FM /Facebook)
Álbum: Bring The Lions  Out
Vídeo em destaque: I Adore You
Data de lançamento: Agosto de 2008


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LINK

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Como ensina The Wire na sua temporada dedicada a eleições, os candidatos desiludem sempre. Como o The Wire nunca se engana, já sabem que vai acontecer. Mas até lá, ainda há muito que o Presidente Obama pode fazer. Para aqueles que querem continuar a viver o espírito das eleições por mais uns tempos, duas prendas. A primeira, o livro Dreams From My Father, escrito por Obama. O segundo, uma das histórias de BD do Sandman, precisamente sobre um presidente americano ideal.

Esperemos que as palavras passem a actos e a ficção a realidade, porque agora a política real tem de dar a mão à emocional. Boa sorte Obama.

…declarado por um dos melhores sites de sondagem. Está feito, e sabe bem.

Chigaco na noite da eleição

Enquanto se espera

…pelos primeiros resultados finais, podem ir lendo alguns dois bons textos que encontrei hoje sobre as eleições nos blogs. A amanhã ainda têm validade claro. Os primeiros números estão agora mesmo a sair, mas vão ver que se fartam de gráficos bem rápido.

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É assim que acabam algumas entrevistas ou questionários de emprego, e não vejo porque é que seja diferente para Obama:

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Do nervoso miúdinho

Naturalmente, um dos sentimentos que mais passa por todos os apoiantes de Obama nestes últimos dias é o medo (pequenino) que ele perca. Não é por acaso que as palavras-chave deste excelente quadro do NY Times, que pedia aos eleitores para enviarem para o jornal o seu estado de espírito são anxious, nervous e scared, só batidas por hopeful. Agora imagem que Obama perdia, mas por um voto. Vá, vamos ver o vídeo para exorcizar o medo:

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The time is now

Os media continuam a falar do Bradley Effect, mas nós ainda estamos aqui. Aparentemente, os eleitores não receberam esse memo.

Se ainda quero a presidência neste contexto? Bom, se alguém quer mesmo fazer a diferença, não vejo melhor altura que esta para ser Presidente.

Barack Obama, entrevistado no Daily Show (tradução minha). É por estas e por outras que acho que apesar de tudo, Obama é um político que quer mesmo ser diferente, o que já faz toda a diferença.

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PSD quer saber mais sobre nacionalização, PCP tem dúvidas

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Of Human Bondage #2

“Como é que se faz sexo?”, questionavam os nossos pais. Hoje, o adolescente pergunta “como é que se faz sexo assim?”, depois de ter visto o seu enésimo filme daqueles. Segundo um estudo recente, a infidelidade está a aumentar, não só por ser mais fácil de cometer, mas também de admitir. Igualmente aqui a revolução electrónica funcionou como motor. Não custa trair por telefone ou pela internet, nem custa muito dizer a verdade. Apura-se ainda que os casais passam cada vez mais tempo juntos. Os cientistas não fazem a ligação, mas eu arrisco: na ausência de distância, procurararemos sempre em outrem novas fronteiras e tabus.

Pois é.


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..isto e a isto, já que estamos numa de recordações.

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Post-it político #2

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O que é a União Europeia? “Uma coisa boa”, é o que o que nos dizem e repetimos. Mas não é sempre, e é por coisas como esta que a desconfiança se mantém e é necessária:
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O Parlamento Europeu aprovou, esta quinta-feira, uma resolução que questiona a instalação de “scanners corporais” nos aeroportos da União Europeia. Segundo os eurodeputados, as máquinas permitem visualizar uma imagem de uma pessoa praticamente nua.

Quem é que lançou a medida? Nem mais que a Comissão Europeia, presidida pelo nosso desertor mais famoso, Durão Barroso. Vídeo incluído, com direito a Simpsons e tudo. Via Bicho Carpinteiro.

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For some time past I’ve realized I am profoundly conservative. No, not in my politics. In my thinking about the movies, and particularly about how best to experience them. (…) I adhere to the notion that the best way to see a movie is by light projected through celluloid onto a large screen in front of a sizable audience that gives it their full attention. The key words here are projected, celluloid, large screen and attention.
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Let’s go through those one term at a time:
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Projected. I somehow feel it is right for the movie to originate behind me. In a strange way, it seems to be originating inside my mind and expressing itself on the screen, rather than originating on the screen and approaching me.
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Celluloid. Film carries more color and tone gradations than the eye can perceive. It has characteristics such as a nearly imperceptible jiggle that I suspect makes deep areas of my brain more active in interpreting it. Those characteristics somehow make the movie seem to be going on instead of simply existing
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Large screen. My formative movie experiences took place in large theaters. (…)
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Joe Gillis: “You used to be in silent pictures. You used to be big.”
Norma Desmond: “I am big. It’s the pictures that got small.”
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Attention. By this I do not necessarily mean total silence.
At the Saturday matinees of my childhood, I enjoyed Westerns and comedies in the midst of tumult. More recently, I had a great time at a screening if “There’s Something About Mary” where one man began laughing so hard he fell out of his seat. Only time I’ve ever seen that actually happen. He had to be assisted outside by his wife. (…) “Attention” means silence, however, when the film deserves and earns it. I once saw “Silence of the Lambs” with a chattering audience looking forward to a “horror movie.” In ten minutes, the audience was mesmerized.

A subcategory of “attention” may apply to the modern annoyance caused by moronic narcissists who use cell phones or do text messaging during a film. This is growing more common, and recently the Answer Man reprinted an eyewitness movieweb.com account by a writer who sat next to a newly famous film critic who used his cell and processed text messages during virtually an entire movie.

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Roger Ebert

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